Eu devia ter ficado lá. Ou voltado e procurado você para conversar, escutar por que as coisas não podem ser do meu jeito.
Eu devia ter ficado lá. Ou voltado e procurado você para conversar, escutar por que as coisas não podem ser do meu jeito.
E eu estou aqui plantado bem no meio da vida real, com o queixo apontado pra lua, me sentindo um imbecil. Sabe, eu podia estar transando agora, se eu quisesse. Quer dizer, se eu soubesse fazer as coisas acontecerem.
Depois, com pequenos beijinhos e mordiscadas virando e desvirando seu corpo, virando e revirando seus olhos, convenço que os maiores amores se acertam nos erros, quando a loucura e a entrega vencem a resistência e o medo de alguma forma. Começo num beijo no canto da boca, aqueles que cabe a você decidir se acaba, ou prossegue, tá? Então, vamos? Pega na minha mão, entra no meu carro, sobe na minha garupa. Te mostro o quanto dá pra amar no caminho.
– Eu posso ficar segurando sua mão?
– Pode. Por mim, tudo bem.
– E você sabe por que sempre volta?
– Não – ela responde desencantada, como quem não tinha pensado muito a respeito. – Você me faz bem, você sabe, já disse. É tudo que eu sei. Mas talvez seja um pedido de ajuda. Quem sabe você pode me ajudar a descobrir. Eu gosto de você. Isso não é tudo, eu sei, não é tão descomplicado assim. Mas eu preciso de você. E você precisa de mim também. Eu sinto.
Eu amo ela. É a minha garota e pronto. Não tem como fugir disso.
Acho que tenho medo mesmo é dela inteira, mais do que, sei lá, de assalto ou de avião. O que é estranho, porque ela é tão pequenina e delicada e inofensiva.
Ela tem uma bunda maravilhosa. Mas, sério. Eu gosto quando ela adormece no sofá e depois faz manha para ir deitar na cama. Aí eu a pego no colo, tiro cada peça de roupa, exceto a calcinha e as meias. Ela sente frio nos pés, até no verão. Não sei, eu me sinto poderoso e acolhedor. Então ela pede que eu a abrace de conchinha, ao menos até pegar no sono. Cara, eu odeio dormir de conchinha, detesto aqueles fios soltos de cabelo pinicando meu nariz. Mas adoro o cheiro que ela tem na nuca e ficar colado naquela bunda. Não sei como resolver isso.
Às vezes não parece, mas você é adorável, garota. E se o mundo não tem dado a mínima pra você, o azar é do mundo, e não seu. E a sorte é nossa.
Tudo que eu queria te dizer era tudo que eu não posso mais te dizer, ou tudo que eu queria ouvir mais vezes, muito tempo antes de chegarmos a esse ponto de partida, minha partida, tão adiada partida.
Só estava tentando ser uma outra coisa, sei lá, algo que pudesse merecer você.
Só não te faço uma serenata de amor porque tua janela não dá pra minha calçada. Só não aceito de novo a solidão porque nem a visão de nós dois juntos eu consigo arrancar de dentro de mim.
Naquela noite, quando retornei pra casa e agarrei meu travesseiro, senti saudades. Foi estranho.
Eu acho que você estava sem medo de me perder. E se você não tem medo de perder é porque não tem importância.
As pessoas não se apaixonam muito hoje em dia, ninguém mais oferece moletons quando você está molhado. Elas preferem estudar, ganhar dinheiro e viver outras experiências. Faça uma enquete rápida e concluirá que quase ninguém crê no amor. Quanto mais você sabe da vida, menos você se apaixona. A paixão nasce da ignorância: quanto menos sei sobre você, e mais eu quero saber, mais vulnerável eu fico.